Macroeconomia

17 setembro 2020

Contas externas em julho registam uma forte queda no Turismo

O Banco de Portugal divulgou hoje os dados de julho relativos às contas externas. Destacamos, o seguinte: 

1. O défice da Balança Corrente em percentagem do PIB, últimos 12 meses, aumentou sequencialmente para -0,76% vs. -0,46% em junho, -0,64% em maio e -0.26% em julho de 2019. Compara com a média móvel dos últimos 12 meses (12MMM): -0,33% e 3MMM:  -0,62%;

2. O saldo negativo da Balança de Bens (somente bens) em percentagem do PIB (últimos 12 meses) está nos -6,92% vs. 12MMM: -7,79% e 3MMM: -7,28%;

3. O saldo negativo da Balança de Bens caiu em julho -67% homólogo e compara com 12MMM: -16,7% e 3MMM: -53% (-27% no acumulado do ano);

4. O saldo positivo da balança de Viagens e Turismo (somente receitas de turismo) em percentagem do PIB (últimos 12 meses) foi de 4,35% vs. 12MMM: 5,81% e 3MMM: 4,87%;

5. O saldo positivo da Balança de Viagens e Turismo caiu em julho -75%, depois de -88%; -93% em junho e maio, respetivamente e compara com 12MMM: -28% e 3MMM: -95%. No acumulado do ano -63%.

Os dados das contas externas em julho mantiveram o perfil dos meses mais recentes, deteriorando-se, como esperado, uma vez que os meses de Verão, em termos de receitas de Turismo, são os meses mais relevantes. No entanto, as taxas, apesar de negativas, são menos negativas (-75% homólogo em julho vs. -88% em junho e -93% em maio) e por outro lado a Balança Comercial continua a compensar parcialmente o impacto negativo das receitas de Turismo com menos Importações, devido à menor atividade. Ainda assim, a Balança Corrente, está-se a deteriorar e o impacto em agosto deverá ser ainda maior, devido a ser o mês mais importante em termos de receitas de Turismo; setembro deverá ser como julho e o impacto negativo reduzir-se-á de outubro em diante.

Em resumo, assumindo que o impacto negativo na balança corrente até final do ano seja a média do impacto marginal negativo nos últimos 5 meses (março/julho) e o impacto em agosto seja semelhante a julho, acrescido da diferença de agosto/20 vs. agosto/19; a Balança Corrente deverá finalizar o ano com um défice da Conta Corrente, em proporção do PIB perto dos 3%, sem dúvida melhor que a nossa posição aquando da crise da dívida soberana, em que registamos défices gémeos (Contas públicas e externas) perto dos 10% do PIB.

Fonte: BoP, AS Independent Research

António Seladas, CFA
AS Independent Research



Voltar