Macroeconomia

13 janeiro 2020

Inflação: nível de preços sem pressões inflacionistas em dezembro

O Instituto de Estatística (INE) divulgou os dados finais relativos à inflação de Dezembro e as suas componentes (recorde-se que uma primeira estimativa foi, como habitualmente, divulgada no início do mês).

Não sendo o dado mais relevante de seguir neste ambiente de baixa inflação, ainda assim fornece algumas indicações em termos gerais e relativamente a algumas componentes.

Salientamos, assim, os seguintes pontos:          

  • O Índice de Preços do Consumidor (IPC ou CPI em inglês) subiu em Dezembro 0,4% em termos homólogos (YoY em inglês), em linha com os dados preliminares divulgados no início do mês, mas ligeiramente acima da Média Móvel dos últimos 12 meses 12MMM e 3MMM: 0,3% e 0,25%; respetivamente;
  • A inflação subjacente (core cpi - exclui a variação dos produtos energéticos e produtos alimentares não transformados, componentes voláteis e que não traduzem necessariamente inflação) subiu 0,4% em linha com os dados preliminares e compara com 12MMM de 0,5% e 3MMM de 0,4%;
  • Alimentação e Bebidas não alcoólicas: +0,2% homólogo vs. 12MMM +0,3% e 3MMM de 0,3%;
  • Restaurantes/Cafés e similares: +2,1% homólogo vs. 12MMM +2,1% e 3MMM de 2,1%;
  • Vestuário/Calçado (Clothing/Footwear): -2,0% homólogo vs. 12MMM  -3,0% e 3MMM -1,8%;
  • Serviço Postal: +0,9% homólogo vs. 12MMM +0,3% e 3MMM 0%;
  • Comunicações:  -4,4% homólogo vs. 12MMM -2,7%  e 3MMM -4,10%.

 

O comportamento do nível de preços em Portugal continua disciplinado, sem pressões de subida/descida, muito em linha com o que se passa no Resto do Mundo e concretamente Zona Euro (Euro Area). Ainda assim, comer fora está claramente pressionado em alta com o nível de preços a subir 2,1%; enquanto comprar comida nos supermercados e comer em casa, mantém-se sem pressão assinalável, fruto sem duvida da forte concorrência. Vestuário/Calçado, mantém a tendência negativa que é habitual no setor, ainda assim a registar uma ligeira atenuação na queda dos preços, ou seja valores superiores à media de 12MMM. Por outro lado, os preços das telecomunicações mantém a variação homólogo negativa, fruto da limite de preços imposto desde Maio de 2019, nas chamadas móveis para a União Europeia, sendo que registou também uma ligeira deflação sequencial e que será interessante acompanhar para determinar se a concorrência está a ser mais efetiva ou não.

Fonte: INE, AS Independent Research

António Seladas, AS Independent Research



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