EN ES
Esqueci a minha password
    Voltar
Direção da Semana
07 Dezembro 2018
Alexandra Ferreira - Opinião
Petróleo on fire: de onde vem este entusiasmo todo?
Os preços do petróleo dispararam mais de 5% no arranque da semana, com o WTI para os Estados Unidos a atingir os 53,85 dólares e o Brent – que serve de referência para a Europa – a chegar aos 62,60 dólares.

Na origem desta subida estão dois catalisadores e um deles justifica também que a semana esteja a ser positiva para os investidores: os Estados Unidos e a China assinaram uma trégua de 90 dias que trava qualquer agravamento das tarifas comerciais entre os dois países, pelo menos nos próximos três meses. O acordo foi assinado no passado fim-de-semana na Argentina e os mercados aplaudiram logo à primeira hora de negociação no mundo inteiro.

A trégua trouxe uma perspetiva mais benigna aos mercados no que se refere à componente do comércio internacional e, nessa medida, sugere o aquecimento da indústria e, por isso, do consumo de petróleo.

Segundo o acordo, as tarifas norte-americanas mantêm-se nos 10% sobre o cabaz de produtos atual, sem alterações nos próximos 90 dias, período em que os dois países continuarão a negociar um acordo que vai incidir sobretudo sobre tecnologia e propriedade industrial. Se, ao fim destes três meses, as partes não chegarem a acordo, as tarifas disparam para 25%.

A China assinou ainda um acordo para reforçar a importação de produtos agrícolas norte-americanos, bem como de petróleo, para reduzir o desequilíbrio da balança comercial entre os dois países.

Os mercados receberam bem estes desenvolvimentos, com o índice industrial Dow Jones a disparar mais de 5%, tendo o setor da aviação e da construção liderado os ganhos. O S&P 500 acompanhou o entusiasmo que muitas casas de investimento consideram, no entanto, prematuro: a tensão e risco resultante da guerra comercial podem ter atenuado mas mantêm-se.

O segundo, mas não menos importante, catalisador das subidas acentuadas nos preços do petróleo deve-se à saída do Qatar da Organização dos Países Produtores de Petróleo, anunciada pelo próprio país na segunda-feira e com efeitos já a partir de Janeiro. O Qatar tem uma produção pouco significativa – cerca de 600 mil barris por dia – mas é o maior exportador mundial de gás liquefeito.

Nos últimos dias esta foi só a notícia mais recente que aponta para uma diminuição da oferta mundial de petróleo o que, naturalmente, colocou pressão sobre os preços. O Governo da província Canadiana Alberta avançou com uma medida que obriga os produtores de petróleo a reduzirem a produção em 8,7% para controlar a quantidade de petróleo armazenado, que não está a ser escoado e a OPEP encerrou ontem o primeiro dia de reunião sem acordo.

Espera-se que o grupo dos países produtores de petróleo, acompanhado pela Rússia anuncie cortes na produção exatamente com o mesmo objetivo que a província canadiana: reduzir os stocks disponíveis, a principal razão para os preços do petróleo terem recuado 30% desde Outubro. A Arábia Saudita, que na prática, lidera o cartel, há muito que defende a medida e, recentemente, o presidente russo Vladimir Putin afirmou estar alinhado com esta posição.

Será este o início da recuperação dos preços do petróleo? Ainda é cedo para dizer. Para já depende sobretudo do compromisso dos produtores com uma redução da produção.
 
Alexandra Ferreira (194)