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Direção da Semana
09 Novembro 2018
Alexandra Ferreira - Opinião
Por onde andam os nossos investimentos?
Um estudo da Willis Towers Watson, em conjunto com o Instituto “Thinking Ahead”, concluiu que 43% dos ativos sob gestão no mundo inteiro estão nas mãos de 20 gestoras. E mais: a concentração dos nossos investimentos num número restrito de gestoras tem vindo a aumentar e está no nível mais alto desde o ano 2000.

O estudo reuniu os dados das 500 maiores gestoras de ativos no mundo inteiro, com o objetivo de refletir sobre a transformação no mundo das gestoras de ativos e de que forma é que estavam a ser protegidos os interesses dos investidores.

Outra das conclusões do mesmo estudo é a de que há cada vez mais dinheiro disponível para ser investido (não necessariamente que haja mais pessoas com capital para investir). O montante total de ativos sob gestão nas 500 maiores gestoras do mundo cresceu 15,6% em 2017 face ao ano anterior. Em dólares, estamos a falar de 93,8 biliões de dólares, mais 10 biliões que em 2016.

Por geografia, as gestoras da Europa representam quase uma em cada três empresas de gestão de ativos, graças, em grande parte, ao crescimento dos ativos que superou os 15% no velho continente, à boleia da recuperação económica. A par da Europa, sem surpresas, surge a América do Norte que, apesar disso, mostra o estudo, perdeu algum peso. Ainda assim, é nesta geografia que encontramos a maior fatia dos ativos sob gestão, com 58,1%.

O resto dos ativos sob gestão reparte-se entre o Japão (4,8%) e outros países com montantes mais baixos que, no seu conjunto, representam 5,2% do total.

Investidores continuam a preferir a gestão ativa

Quanto ao tipo de gestão de ativos mais popular, a gestão ativa continua a liderar, com 77,8% dos ativos. Já a gestão passiva – através de Exchange Traded Funds (fundos que replicam os índices bolsistas), apesar do crescimento muito relevante (+25% face a 2016), representa apenas 22,4% do total dos ativos sob gestão.

Ainda assim, a tendência está lá e com todas as condições para reforçar: em 2012, a gestão passiva captava menos de 20% dos ativos sob gestão o que obriga a gestão passiva a repensar o seu modelo e adaptar-se àquelas que são as exigências da nova geração de investidores: conveniência e custos de gestão baixos. E se durante os anos imediatamente à crise, a gestão passiva crescia residualmente, em 2017, o crescimento foi o mais acentuado desde 2009. Fica o alerta para as gestoras.

O ranking das maiores gestoras

Pelo décimo ano consecutivo, a gestora de fundos BlackRock continua a liderar a tabela das 500 maiores, seguida da Vanguard e da State Street, que se vão intercalando no segundo e terceiro lugar desde 2014.

Na Europa, a maior gestora de fundos é o grupo alemão Allianz que, a nível global, está na quinta posição, atrás da State Street Global e da Fidelity. No top 20 global estão outras oito gestoras europeias.

Uma nota relevante deste estudo que também tem o objetivo de detetar tendências no negócio da gestão de ativos é o facto de identificar o interesse crescente dos clientes por investimentos sustentáveis (81% dos gestores fazem menção a esta tendência), a par de áreas igualmente populares como a tecnologia e “big data” (74%).

Quase dois terços das gestoras ouvidas aumentaram o número de produtos disponibilizado ao longo de 2017 e 60% confirmaram um aumento do peso da regulação na gestão do negócio.
Alexandra Ferreira (214)