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Direto ao Assunto
14 Dezembro 2018
Alexandra Ferreira - Opinião
Já está a fazer as malas para ir de férias? Prepare a carteira primeiro.
À medida que nos aproximamos do Natal, começamos a pensar mais no tempo que vamos passar em família ou com os amigos e a ficar ansiosos por uns dias de pausa. Infelizmente, os mercados raramente se compadecem com calendários sociais, nem mesmo o das Festas. Se é um investidor atento, as últimas semanas trouxeram algumas novidades que mostram isso mesmo: a preocupação em relação à subida das taxas de juro e as quedas repentinas dos mercados são bons argumentos para que consideremos reduzir o risco do portfolio como estratégia para irmos de férias descansados.

Numa fase já avançada do ciclo de crescimento, onde se alteraram as condições de liquidez (mais restritivas) e aumentou a volatilidade, uma estratégia de alocação da carteira a obrigações de curto prazo pode trazer algum equilíbrio aos investidores, na medida em que traduz uma abordagem defensiva que reduz o risco de taxa de juro mas que mantém a exposição a ativos diversificados na parte curtar da curva de rendimento do mercado de obrigações.

Preparar a carteira para taxas de juro mais elevadas

O aumento das taxas de juro é um sintoma justamente de ciclos de crescimento já maduros ou em fim de vida. Nos próximos 12 meses, o cenário é de subida das taxas de juro, em particular nos Estados Unidos onde o crescimento mantém-se robusto e acima da linha de tendência e a Reserva Federal norte-americana deverá continuar a reduzir o seu balanço. Mas a subida das taxas de juro chegará também à Europa, onde o BCE deverá avançar com os primeiros aumentos depois do Verão de 2019.

Estratégias assentes em obrigações de curta duração, tipicamente um ano ou menos, podem, por isso, reduzir a sensibilidade do portfolio a estas condições mais restritivas. Por outro lado, atualmente, com uma curva de taxa de juro associada à dívida pública praticamente plana, os investidores obtêm retornos muito similares, quer invistam no curto-prazo ou longo prazo. Se assim é, há poucas vantagens em correr o risco de longo prazo das obrigações, nomeadamente o que resulta da subida das taxas, se a este não estiver associado um retorno mais relevante.

Finalmente, os portfolios de curto-prazo podem posicionar-se para beneficiar de juros e yields mais elevados, na medida em que as taxas de referência continuam a subir, oferecendo retornos mais interessantes.

Aproveitar as quedas e momentos de baixa volatilidade para comprar

Muitos investidores habituaram-se, na última década de expansão económica, a correrem a comprar sempre que se registavam pequenas correções, para aproveitar as subidas que sempre se seguiam. Mas neste novo contexto de condições financeiras, mais restritivas, talvez seja melhor ideia preocuparem-se com essas correções em vez de tentar ganhar com elas.

O consenso de mercado aponta para que foi justamente a trajetória de subida dos juros que provocou um “outubro negro” nos mercados. E a julgar pelas últimas declarações da Reserva Federal norte-americana, a volatilidade que marcou todo o mês de outubro não está a tirar o sono ao banco central, pelo menos para já. Assim, as condições que faziam com que as correções fossem boas oportunidades de compra, não vão repetir-se.

Pelo facto de a dívida de curto-prazo tender a apresentar baixa volatilidade, especialmente quando comparada com os tradicionais ativos de risco (ações), alocar uma parte da carteira a obrigações de curto prazo em detrimento de risco, pode ajudar a reduzir a volatilidade do portfolio (historicamente, a volatilidade em dívida de curto prazo num período de 10 anos é inferior a 1%, comparando com cerca de 15% nas ações).

Gestão de liquidez

À medida que aumentam os juros e a volatilidade, os investidores devem reduzir o risco da carteira, alocando uma parte do capital para ativos considerados típicos de tesouraria: depósitos bancários, certificados de depósito, depósitos a prazo, etc. Ativos que, facilmente, se possam converter em dinheiro. Também aqui a aposta em dívida de curto-prazo, inferior a um ano, aumenta a liquidez da carteira face a opções com maior risco ou com horizontes mais alargados.

Preparação é chave

Para os investidores que não toleram os altos e baixos do mercado, a preparação para um ciclo de mercado volátil é essencial. E a estratégia é só uma: aumentar a previsibilidade da carteira e isso faz-se com uma alocação à vista, de curto prazo.

As melhores opções dentro desta estratégia? Agora que o mercado não está “a dar”, qualquer que seja a opção de alocação de carteira, a gestão ativa é chave: a identificação das melhores oportunidades de retornos dentro desta estratégia.
 
Alexandra Ferreira (214)