EN ES
Esqueci a minha password
    Voltar
Direto ao Assunto
18 Dezembro 2018
Alexandra Ferreira - Opinião
Perspetivas para 2019: o ano em que os investidores têm de ajustar expetativas
Obter retorno continuará a ser o foco principal dos investidores em 2019. É o que diz o estudo da Schroders, “Global Investor Study”: o nível médio de rendibilidade que os investidores procuram na hora de investir aumentou de 9% para 10%, um nível que é, no mínimo, ambicioso, se não mesmo irrealista, quando olhamos para as perspetivas dos mercados no ano que está quase a começar.

O principal objetivo será encontrar novas fontes de rendimento, mas terão de ser mais exóticas/mais arriscadas porque as tradicionais não vão chegar para obter os retornos a que os investidores se habituaram na última década, possíveis até tendo investido em ativos de baixo risco. Nos últimos anos, uma carteira exposta sobretudo a dívida – baixo risco – gerou retornos substanciais aos investidores. Mas o mundo vai mudar em 2019, vamos deixar de ter o apoio dos bancos centrais com políticas monetárias muito agressivas e aumento de liquidez nos mercados, fatores estes que têm proporcionado rendibilidades muitas vezes acima das médias e a tornar por isso irrealistas os valores passados.

Desde a crise financeira de 2011 que os retornos obtidos com ativos de menor risco são mais baixos, em resultado de um desajuste entre as expetativas dos investidores e a realidade do cenário financeiro.

Note-se que as taxas de juro tocaram os níveis mais baixos de sempre em economias desenvolvidas. Daqui para a frente, só há um caminho que é o das subidas, com os bancos centrais a retirarem os estímulos à economia, como já estamos a assistir nos Estados Unidos e Zona Euro. Se o objetivo é aumentar o retorno dos investimentos para lá dos níveis obtidos nos últimos anos, dificilmente será através da alocação de capital a depósitos, obrigações de dívida pública ou empresas.

O resultado deste novo contexto é que os investidores podem ter a perceção de que as fontes tradicionais de rendimento oferecem um baixo perfil de risco mas que, ainda assim, satisfazem as suas necessidades em termos de segurança do capital. Mas, na realidade, o que acontece é que estão a abdicar dos retornos a que aspiram. Mais: se tivermos em conta o efeito da inflação, a opção por ativos de baixo risco pode mesmo resultar em retornos negativos porque o pouco rendimento obtido é anulado pela evolução dos preços.

No Reino Unido, gerou-se recentemente um buzz positivo à volta do lançamento da Marcus, a nova rede de retalho do Goldman Sachs, uma vez que está a oferecer um rendimento de 1,5% dos depósitos. A oferta do banco soou destacadamente melhor que a da concorrência. Se olharmos para o mercado português, esta remuneração é das mais elevadas entre a oferta disponibilizada pela banca.

Mas, sendo um juro generoso quando comparado com outros bancos, é uma opção ruinosa quando consideramos que a inflação está próxima dos 2%. Em termos reais, perdemos capital.

Tendo em conta este cenário, os depósitos e outros ativos, como dívida pública, estão longe de ser a resposta para alguns investidores que procuram obter retornos mais visíveis, em linha com a expetativa que revelaram no estudo da Schroders: obter um retorno de 10% da carteira em 2019. Apesar disto, e segundo o mesmo estudo, os investidores mantêm mais de 25% da sua carteira alocada a liquidez (depósitos, dívida pública de curto prazo, etc.).

Quais são as alternativas?

Para os investidores que procuram retornos mais elevados, o caminho do investimento tornou-se mais rochoso. Hoje precisam de repensar a alocação da carteira a fontes menos tradicionais e que apresentam maior risco do que estão habituados. As opções a analisar e compreender são muitas e nem sempre é fácil saber escolher.

Se nos últimos 10 anos a gestão passiva deu passos de gigante – com os fundos que replicavam índices (“Exchange Traded Funds”) sem a intervenção de gestores a oferecerem rendimentos altos e custos de gestão baixos – mas o contexto tem-se tornado mais desafiante, porque a gestão de Buy and Hold (comprar e apenas esperar que valorize) vai deixar de funcionar, adivinha-se o regresso a uma exigente gestão ativa clássica. Será preciso um nível de informação muito mais alargado e completo, em que só as máquinas são insuficientes para rentabilizar os investimentos e capazes de apontar a mira às oportunidades que oferecem o maior potencial de retorno.

Mas mesmo apoiados pela gestão ativa, em 2019, quem quer correr risco para obter retornos mais materiais, deve ter em conta que o risco de perder ou não ganhar é mais elevado do que até aqui e isso é algo que deve estar perfeitamente incorporado na mente dos investidores quando fizerem as suas opções. A ideia do retorno garantido que vingou na última década, mesmo correndo risco nas ações, não vai ter terreno fértil para sobreviver em 2019.

Mas há efetivamente uma grande oportunidade no risco em 2019. Importa é saber identificá-la. A pergunta a fazer é: que oportunidades de investimento atuais se adequam melhor às minhas necessidades?

A busca de rendibilidade é também uma questão de expetativas. É possível que os investidores tenham de reduzir as suas expetativas até um objetivo mais realista porque no contexto atual, quem quer retorno tem de aceitar correr risco. E, percebendo que nível de risco tem de assumir para atingir o retorno à altura das suas expetativas, muito provavelmente preferirá mexer antes no objetivo de retorno.

A segunda mensagem para 2019 é relembrar que o investimento é um caminho de longo prazo e que é justamente esta ideia que nos permite suportar as flutuações – e quedas – de curto prazo.

Finalmente, num contexto de taxas de juro a subir mas ainda assim abaixo da inflação, os investidores têm de ir mais além dos investimentos tradicionais em ativos sem risco para alcançar os seus objetivos de retorno.
 
Alexandra Ferreira (216)