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Investimento com Direção Assistida
21 Janeiro 2019
Alexandra Ferreira - Opinião
2019 será o ano dos mercados emergentes? Os riscos e oportunidades
As projeções são do Fundo Monetário Internacional (FMI). E quando as comparamos com o mesmo exercício da Instituição feito para 2018, vemos que há mais países na lista dos que vão ver a sua economia contrair. A segunda grande conclusão aponta para um abrandamento do crescimento no conjunto das economias ditas desenvolvidas.

Quando olhamos para o crescimento global, a projeção do FMI é igual à que fazia para o ano que terminou: um avanço global do PIB de 3,7%, o que, apesar de tudo, traduz uma revisão em baixa das suas estimativas até outubro.

O que preocupa o FMI em 2019? Muitos dos temas que marcaram o último trimestre do ano: o impacto da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, uma Zona Euro que está a voltar a perder gás e a crise num elevado número de mercados emergentes.

Sem surpresas, é nos mercados emergentes que temos os maiores crescimentos potenciais, mas também as piores crises. Foi, de resto, assim em 2018 e confirma que, quando se trata de mercados emergentes, não estamos a falar de uma realidade mas sim de uma manta de retalhos que exige uma seleção criteriosa e, mesmo assim, um perfil de investidor tolerante ao risco.

O melhor e o pior de 2018

Fazendo a ronda pelos mercados mundiais em 2018, a bolsa da Ucrânia disparou 80%, fazendo deste o mercado do mundo que mais retorno entregou aos investidores. Seguiu-se a Macedónia, cuja bolsa cresceu 30%, depois do Governo do país ter chegado a acordo com a Grécia para resolver um conflito de décadas: aceitou mudar o nome de Macedónia para República do Norte da Macedónia, indicando assim que não tinha quaisquer pretensões sobre a província grega da Macedónia.

Qatar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, são os países que se seguem nos melhores desempenhos.

No lado oposto, nas quedas mais épicas, tivemos a Venezuela, com a bolsa a recuar 95% em 2018, seguida da Argentina que já habituou os investidores a uma vida de altos e baixos: o índice de Buenos Alpes recuou 50% em 2018, com o país a braços com mais uma crise financeira, agravada pela subida das taxas de juro nos Estados Unidos.
Turquia, China e Paquistão foram as outras favas de 2019, com a crise da lira turca a arrasar com a economia do país, a China a enfrentar as consequências da guerra comercial e o Paquistão a falhar um acordo para receber assistência financeira do Fundo Monetário Internacional.

Isto foi o mercado de capitais em 2018. Que diz o FMI em matéria de campeões do crescimento e liga dos últimos para 2019 e, nesse sentido, desenhando um GPS de diversificação geográfica para as carteiras de investimento?

E em 2019?

Do lado dos países de onde é preciso ficar longe em termos de alocação de investimento, estão Porto Rico, Sudão do Sul, Venezuela e Guiné Equatorial (que já estavam na lista do FMI em 2018), Barbados, Nicarágua, Nauru, Sudão, mas também o Irão e a Argentina, em ano de eleições presidenciais. São os países que deverão ver as suas economias contraírem este ano.

O FMI refere que 46 países do mundo devem registar crescimentos acima dos 5% e situam-se, sobretudo nas regiões da América Central, Sudeste Asiático e algumas regiões de África.

Logo a seguir, com crescimentos do PIB até 4%, vem o Leste Europeu, América do Sul (excluindo Brasil) e, de novo, alguns países africanos.

É nos crescimentos até 3% que está a maioria das economias desenvolvidas. Nas projeções, o FMI vê a maior economia mundial, a dos Estados Unidos, abrandar para 2,5% em 2019, assim como a do bloco europeu. A Zona Euro deverá crescer 1,9% e para Portugal, o FMI aponta um crescimento de 1,8%, abaixo das estimativas do Governo (2,3%).

Investir nos mercados emergentes: a visão das casas de investimento

Num ano em que o semáforo oscila entre o amarelo e o laranja, obter retornos simpáticos nos mercados financeiros vai estar ao alcance apenas de quem aguentar elevados níveis de risco e for mais que tolerante às perdas.

Numa altura em que o cenário para as economias desenvolvidas é de abrandamento do crescimento e vários pontos de interrogação sobre temas que podem fazer os mercados mudar de sentimento de um dia para o outro – a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a crise italiana, o Brexit, a subida de juros por parte do BCE, etc. – as maiores yields estão nas regiões que têm condições para liderar o crescimento económico ou países que beneficiam desse crescimento.

Assim, nunca é demais repeti-lo, o conhecimento detalhado de cada um destes mercados, dos seus riscos e oportunidades, é essencial quando falamos de investir em mercados emergentes.

Caso a caso, país a país, sempre

Os mercados emergentes entraram com o pé direito em 2019. Com o anúncio da China de que iria injetar dinheiro no sistema financeiro (reduzindo as reservas mínimas de capital dos bancos) e a expetativa de que a Reserva Federal norte-americana vai interromper a subida dos juros, o cenário benígno para uma recuperação dos emergentes em 2019 ganha terreno.

Só na primeira semana do ano foram investidos 1,4 mil milhões de dólares em ETFs que seguem os mercados emergentes. O maior ETF emergente registou o maior ganho dos últimos dois meses no dia 4, com o prémio de risco associado à dívida destes países a registar a queda mais expressiva desde novembro de 2016, segundo dados do JP Morgan. São sinais positivos mas não esquecer que também 2018 começou bem mas acabou mal para estes mercados.

O desfecho da guerra comercial – que terá mais uma batalha este mês com conversações entre a China e os Estados Unidos – é crucial para o comportamento destas economias e mercados. A expetativa dos analistas é que ambas as partes estão interessadas num acordo. Mais, não se podem dar ao luxo de não chegar a ele.

A confirmar-se que Estados Unidos e China comecem a resolver a guerra comercial ao longo de 2019, os mercados emergentes oferecem uma vantagem clara: depois de mais um 2018 a desapontar, as ações estão subavaliadas em comparação com as avaliações excessivas nos mercados desenvolvidos, em particular o norte-americano. Há ainda a perspetiva para o dólar, que sem a Fed a continuar a subida de juros no segundo semestre de 2019, deverá estabilizar (em 2018, a valorização do dólar foi um dos catalisadores de um conjunto de crises nos emergentes).

Ainda assim, estamos sempre a falar de países onde tudo pode acontecer e particularmente vulneráveis ao abrandamento mundial. O investimento nestes mercados é para corajosos, para quem pensa no longo prazo e, sobretudo, depende do conselho profissional.
 
Alexandra Ferreira (216)