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Investimento com Direção Assistida
26 Fevereiro 2019
Alexandra Ferreira - Opinião
Investimento em fim de ciclo: a exposição certa a cada classe de ativos
Em junho deste ano completa-se o maior ciclo de crescimento da história que, como seria de esperar, se traduziu também no ciclo de ganhos mais prolongado de que há memória. Por isto mesmo, estamos no que se chama na terceira idade do ciclo económico, no preâmbulo de um ciclo negativo. O consenso de mercado atira o cenário de uma recessão para 2020, pelo que este ano é para apertar o cinto e preparar a carteira para o novo contexto global.

Os sinais de que estamos no fim do ciclo começaram a fazer-se sentir em 2018, com o aumento da volatilidade e um número crescente de analistas a afirmar que o crescimento económico nos Estados Unidos estava a chegar ao fim.

Contexto novo, alocação de ativos nova. As maiores gestoras de fundos têm estado a trabalhar com base num cenário comum: o ciclo está no fim mas ainda não acabou e, por isso, há que aproveitar o retorno potencial mas com a cautela de que os ganhos estão a chegar ao fim. A primeira mensagem destas gestoras: é para continuarmos investidos em 2019, mas a escolha dos investidores deve recair sobre ativos de elevada qualidade em todas as classes de ativos e sobretudo privilegiar a liquidez para rapidamente reagir a surpresas e aproveitar oportunidades de investimento.

Como investir em cada classe de ativos e geografia? É esse o exercício de hoje, depois de uma ronda pelas duas maiores gestoras de fundos do mundo: a Pimco e a BlackRock.

O cenário de risco global

Dado o abrandamento do crescimento económico, uma redução dos estímulos de politica financeira por parte do Banco Central Europeu e níveis mais elevados de volatilidade, o risco para 2019 está do lado negativo e requer dos investidores um sacrifício do retorno em benefício de liquidez, por forma a beneficiar de investimentos táticos que se possam colocar ao longo do ano.

Ações: reduzir o peso na carteira

Estamos sempre a falar das mudanças na carteira e à composição do portfólio em relação a 2018. Face ao ano passado, as gestoras recomendam reduzir a exposição da carteira às ações.

A volatilidade e a redução dos lucros das empresas serão dois catalisadores de quedas destes ativos em 2019, que deverão receber mais atenção dos investidores. Menos peso para as ações e, reforço em liquidez, seleção assente na elevada qualidade de ativos e setores defensivos.

Que quer isto dizer? Empresas de grande capitalização em detrimento de pequenas capitalizações, ações norte-americanas em vez de europeias e um sinal para acumular (não demasiado) ações japonesas, que entregaram resultados positivos, estão pouco endividadas e o Banco do Japão continuará com uma política monetária generosa. Quanto aos mercados emergentes, a recomendação vai para um peso neutro na carteira.

Rendimento fixo: a proteção de 2019

Quanto ao rendimento fixo, a preferência vai por dívida de rating elevado e duração média. Nesta fase de fim de ciclo, o rendimento fixo pode funcionar como um catalisador de diversificação de risco, essencial na construção das carteiras. Ainda assim, há que ser seletivo na exposição da carteira: as taxas de juro norte-americanas são as mais atrativas dos mercados desenvolvidos e, por isso, deve pesar mais no conjunto do rendimento fixo. Segue-se a dívida britânica e japonesa. O alerta vermelho – com uma recomendação para reduzir exposição - vai para a dívida da Zona Euro, cuja avaliação atual, para ambas as casas de investimento, está cara, sobretudo se o Banco Central Europeu retirar os apoios à economia, como se antevê que comece a fazer no final do ano.

No caso da dívida pública dos países emergentes, também a seleção da geografia é essencial. Algumas economias como a mexicana e a brasileira têm recebido votos de confiança dos analistas. Globalmente, a recomendação para a alocação da carteira a dívida emergente é para que tenha um peso neutro em termos do total da carteira alocado a rendimento fixo.

Quanto ao peso que as obrigações devem ter na carteira global, nunca será um valor preponderante na medida em que o rendimento fixo limitará o próprio potencial de retorno e que se espera   em ligeira redução.

Dívida das empresas

Dado este contexto de fim de ciclo, a expetativa é a de que a dívida corporativa tenha um fraco desempenho em 2019, pelo que a recomendação é reduzir a exposição. Dentro dos vários tipos de dívida, a preferência deve recair por obrigações de curto prazo de empresas com um rating elevado, em especial de setores defensivos e não cíclicos, em linha com o desígnio de reforçar a componente de liquidez da carteira.

Quanto à recomendação para reduzir a exposição, as obrigações de a empresas sem notação e investimento, prende-se com o facto de serem empresas altamente endividadas, as quais terão maior dificuldade de cumprir com as suas obrigações num contexto económico pré recessivo.

Ativos "reais": o refúgio da carteira

Historicamente, os chamados ativos reais tendem a comportar-se melhor em fases tardias de ciclos de crescimento, como a atual. Basta ver o comportamento do ouro: desde agosto de 2018 que já subiu mais de 10%.

Qual a função que desempenham na carteira? De contraponto, hedge, em relação à inflação e também funcionam como um fator de diversificação.

Ouro, matérias-primas, obrigações indexadas à inflação, todos estes ativos caem na categoria dos "ativos reais". A recomendação, no caso do ouro é para manter em carteira e, no caso das matérias-primas e obrigações indexadas à inflação, a PIMCO recomenda aumentar taticamente o peso na carteira.
 
Alexandra Ferreira (194)