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Investimento com Direção Assistida
06 Maio 2019
Alexandra Ferreira - Opinião
​O papel dos fundos monetários nas carteiras de investimento
Falamos aqui frequentemente de liquidez da carteira, da importância de, no nosso portfólio, conservarmos uma parcela alocada a ativos líquidos que facilmente conseguimos vender em mercado para alocar o capital a outras oportunidades de investimento, sem que isso signifique perda de valor e garantindo ainda a essencial diversificação.

Mas em que se traduz a liquidez? Que tipo de produtos tenho disponíveis para assegurar essa parcela de liquidez na carteira? Um dos mais relevantes são os Fundos Monetários e é particularmente relevante olharmos agora para esta classe de ativos, numa altura em que as taxas de juro permanecem historicamente baixas.

 
O que são Fundos Monetários?

A primeira característica que os distingue dos demais é a sua finalidade: a sua principal vocação é a preservação do capital investido sendo, por isso, uma forma de minimizar o risco de investimento, oferecendo, apesar de tudo, um retorno ligeiramente superior a um tradicional depósito a prazo.

À semelhança de qualquer fundo de investimento, um Fundo Monetário é dividido em partes, chamadas Unidades de Participação e são estas que são disponibilizadas pelas gestoras de fundos ou as demais instituições de crédito que o fundo escolheu para ser comercializado.
Quase sempre estes Fundos Monetários são denominados em euros. Se a divisa for outra, é preciso somar ao risco do fundo (mínimo mas existente) o risco cambial. Mesmo que fosse, por exemplo, um fundo denominado em dólares, uma moeda estável, o câmbio no resgate pode ser uma variável muito relevante para o aforrador.

Em termos de horizonte temporal do investimento, este tipo de fundos são opções de curto-médio prazo, não mais do que um ano, e o investidor pode resgatar ou reembolsar as suas unidades de  participação a qualquer momento, recebendo por estas o preço ou valor patrimonial líquido correspondente à data de reembolso e que poderá ser superior ou inferior ao valor inicial.
 

Mas afinal estes Fundos Monetários investem em quê?

Além do papel essencial que desempenham numa carteira de investimento, os Fundos Monetários são um instrumento essencial de financiamento da Zona Euro. Para se ter uma ideia, são estes fundos que gerem aproximadamente 38% da dívida de curto prazo emitida pelo setor bancário da Zona Euro e cerca de 22% dos títulos de curto prazo emitidos pelas empresas e pelas administrações públicas. Em termos de valor, gerem ativos de um bilião de euros, o que representa cerca de 15% do setor de fundos de investimento da Zona Euro.
 
A sua rendibilidade está associada a um conjunto de fatores. Desde logo a evolução das taxas de juro, já que investem em ativos do mercado monetário de curto prazo – dívida bancária e até dívida pública. E porque são fundos muito líquidos e com baixa volatilidade, a sua rendibilidade segue quase a par e passo a curva das taxas de juro do mercado. Alem disto, não esquecer o papel que desempenham como mitigador do risco total da carteira e, por isso, a rendibilidade indireta que proporcionam.

Ainda que sejam fundos com um risco muito baixo, como sempre, cabe-nos, como investidores, saber exactamente no que estamos a investir, algo a que temos acesso através da Sociedade Gestora e dos prospectos associados a estes fundos.
Mas com o nível atual das taxas de juro e a yield reduzida associada às principais dívidas públicas da Zona Euro, faz sentido olhar para os Fundos Monetários?

Desde logo é preciso perceber o objetivo destes fundos: bater por pouco – por 10 ou 20 pontos base – índices como a taxa Euribor para citar o mais conhecido. E esse objetivo, estes Fundos têm conseguido cumprir.

Resta a questão da inflação: como temos vindo sempre a defender, o objetivo mínimo de uma carteira de investimento tem de ser um retorno superior à inflação porque só a partir daí estamos, de facto, a aumentar o capital. Isto aplica-se aos Fundos Monetários?

Na medida em que estamos a falar de uma componente da carteira, sim. O tipo de investidor que escolhe os Fundos Monetários é sobretudo um investidores que procura segurança e liquidez, à espera de melhores oportunidades de mercado. Isto quer dizer, por outras palavras, apostar numa carteira resiliente que, em tempos como os de hoje, é fundamental, já que a inversão de ciclo parece estar para chegar a qualquer momento.
 
Alexandra Ferreira (216)