EN ES
Esqueci a minha password
    Voltar
Investimento com Direção Assistida
21 Maio 2019
Alexandra Ferreira - Opinião
Pensar no longo prazo: investir nas megatendências
A nossa abordagem ao investimento tem assentado sempre na ideia de longo prazo, sobretudo se a finalidade for investir na poupança para a reforma. Este facto, por si, abre um leque de possibilidades que vão muito para lá dos riscos de que habitualmente falamos e que, não obstante terem um impacto potencial na nossa carteira no curto-prazo, não devem ser o foco do investidor de longo-prazo. Pelo menos não o único.

Quando se trata de investir a pensar num horizonte alargado, existe cada vez mais, da parte de segmentos relevantes da população, uma consciência de alguns temas incontornáveis que desenham o presente e sobretudo o futuro: temas como a responsabilidade social, a saúde, os riscos ambientais, os movimentos demográficos, a nutrição, a biotecnologia, entre outros. E há cada vez mais investidores à procura destas megatendências como forma de diversificação da sua carteira.

O mundo está a mudar e obriga a adaptações aos mais variados níveis. Basta ver as alterações demográficas – o envelhecimento da população nas economias desenvolvidas – que colocam desafios exigentes, nomeadamente em matéria de saúde (e, dentro desta, por exemplo de nutrição), logísticos, adaptação tecnológica, infraestruturas, entre outros.

Os Governos e empresas estão sob uma enorme pressão para implementar regulação, em relação aos primeiros e soluções, no caso dos segundos, destinadas a lidar com o tema das alterações climáticas, os ataques cibernéticos, com o (bom) Governo das Sociedades e um sem fim de temas que vão ser implementados por um conjunto de empresas que, por estarem a dar resposta a estes riscos de longo prazo, reúnem as condições para ser as que melhor se vão comportar em termos financeiros. E, portanto, bons investimentos.

São tendências que se manterão independentemente do ciclo económico e a sua principal característica é que têm a capacidade de mudar a forma como vemos o mundo.

Investir nestas megatendências é também uma forma de diversificar a carteira por temas, sem dúvida, mas, porque estes são transversais, pelo menos, às economias ditas desenvolvidas, garante também uma diversificação geográfica e até setorial.

Vejamos algumas destas megatendências identificadas pelo blog financeiro "Seeking Alpha" que reuniu os contributos das principais gestoras de fundos do mundo e faz o exercício de identificar o que vai marcar até 2025 (e que se refletirá nas avaliações das empresas).
 
Mobilidade Elétrica

A Bloomberg prevê que a quota de mercado dos carros elétricos atinja os 55% em 2040 e que, até lá, a cada cinco anos, duplique face aos valores atuais. Hoje, para se ter uma ideia, falamos de uma quota de mercado de pouco mais de 2% a nível mundial com a venda de carros elétricos a aumentar 72% em 2018.

À medida que nos aproximamos de 2025, a eletrificação vai generalizar-se no setor dos transportes, desde as novas formas de mobilidade, como as bicicletas elétricas, às trotinetes, até aos transportes de carga ou transportes públicos (já existem os primeiros testes com camiões, autocarros de passageiros e aviões).
 
A Internet cresce (ainda) mais

Sim, é verdade, a Internet ainda pode crescer mais – e está a crescer. A penetração da Internet nos países desenvolvidos é de cerca de 81% e com espaço para continuar a crescer, ainda que mais lentamente. Serão os países em desenvolvimento que registarão os maiores crescimentos, uma vez que a taxa de penetração está ainda abaixo dos 50%.

Mas crescer como, especificamente? Não só os utilizadores continuarão a aumentar como a tendência mais evidente é a componente de transações financeiras que vai ser favorecida pela introdução da tecnologia 5G. Estamos a falar das fintech, blockchain, mas também de todos os modelos de negócio assentes no comércio digital, entretenimento online, social media.
 
A Inteligência Artificial vai desenvolver-se muito depressa

A Inteligência Artificial é, muito provavelmente, a maior tendência da tecnologia desde a criação da Internet. E vai chegar-nos de várias formas, algumas das quais sem que nos cheguemos a aperceber delas. Alguns exemplos que já conseguimos perceber: os motores de busca que nos oferecem publicidades adaptadas aos nossos gostos e necessidades, os algoritmos das redes sociais, os serviços automáticos nos call centers, reconhecimento facial, entre outros.
 
5G

A quinta geração da Internet sem fios será um impulso enorme para a afirmação das chamadas cidades inteligentes globais. No final de 2019, já mil milhões de pessoas terão acesso ao 5G, uma tecnologia que será pelo menos 10 vezes mais rápida que o 4G e que permite estarmos online onde quer que estejamos, o que significa que os dispositivos e gadgets portáteis vão oferecer maior portabilidade e por isso continuarão a aumentar.

O 5G vai permitir um crescimento massivo no streamming de vídeo e na Internet das coisas, na medida em que tudo estará ligado e a comunicar entre si. A circulação de dados vai aumentar dramaticamente e, por isso, as necessidades de armazenagem de dados será um tema essencial.
 
Alterações demográficas

Neste tema, o primeiro destaque vai para a formação de uma classe média na Ásia que passará de 600 milhões de pessoas em 2015 para três mil milhões em 2030. Isto significa que, todos os dias, entrarão na chamada classe média, 438 mil pessoas.

A região com mais oportunidades será obviamente a China, onde este processo já começou há mais tempo e os salários já começaram a acompanhar. Assim, as oportunidades estarão mais nas empresas cujo público-alvo é exatamente esta classe média. Mais tarde, juntar-se-á a Índia.

A geração dos chamados baby boomers, nascidos logo após a II Guerra Mundial, está agora a começar a reformar-se, o que se traduz em oportunidades de investimento em turismo sénior, por exemplo, bem como serviços dedicados aos seniores.
Em suma, estas tendências, com elevada probabilidade, tenderão a ser muito importantes ainda que possam demorar tempo a fazerem o seu caminho. Para investidores à procura de elevado crescimento em investimentos de longo prazo, são temas que os gestores têm de colocar no radar, sempre salvaguardando a diversificação e o controlo do risco.
Alexandra Ferreira (214)