Macroeconomia

novembro 18, 2022

Balança de Turismo em percentagem PIB, no acumulado dos últimos 12 meses, com valor record em setembro

(tempo de leitura: 2 minutos)   

 

Os dados de setembro das contas externas evidenciam um desempenho extraordinário na Balança de Viagens e Turismo com as receitas acumuladas dos últimos 12 meses a atingirem um valor record, 6,3% em proporção do PIB. No entanto a Balança Corrente mantém-se negativa, ligeiramente abaixo dos 2% em proporção do PIB; devido à deterioração estrutural da Balança de Bens, com um défice superior a 10% do PIB. Ainda assim o bom desempenho do Turismo, surpreendendo-nos pela positiva, evita a deterioração da Balança Corrente.

                 

O Banco de Portugal divulgou os dados de setembro, relativos às contas externas. Destacamos, o seguinte: 

1 – Défice da Balança Corrente em percentagem do PIB, últimos 12 meses: -1,87%. Compara com Média Móvel dos últimos 12 meses (12MMM): -1,64% e 3MMM: -1,87%;

2 – Saldo negativo da Balança de Bens em percentagem do PIB (últimos 12 meses): -10,7%. Compara com 12MMM: -8,8% e 3MMM: -10,4%;

3 – O saldo negativo da Balança de Bens subiu em setembro 49% homólogo. Compara com 12MMM: +95% e 3MMM: +67%;

4 – O saldo positivo da balança de Viagens e Turismo (somente receitas de turismo) em percentagem do PIB (últimos 12 meses) está em 6,3%. Compara com 12MMM: +4,2% e 3MMM: +5,9%;

5 – O saldo positivo da Balança de Viagens e Turismo subiu em setembro 95% homólogo e compara com 12MMM: +295% e 3MMM: +124%.

O superavit da Balança de Viagens e Turismo em percentagem do PIB: 6,4% é um valor record nos últimos 15 anos e provavelmente histórico. De facto, os valores mais elevados foram observados durante o ano de 2019; 6,1% em percentagem do PIB. O ritmo de crescimento homólogo mantém-se forte, portanto não nos surpreende que este rácio atinja os 7% no final do ano. É importante realçar que este tipo de “exportações” tem um impacto positivo, muito forte nas receitas dos Impostos Indiretos, o que não acontece com a exportação tradicional de um bem, que não suportam impostos indiretos. Infelizmente, a Balança de Bens mantém-se fortemente negativa, com um défice em percentagem do PIB superior a 10%; o que deve ser encarado como um problema estrutural. Em consequência, a Balança Corrente mantém-se negativa, ligeiramente abaixo dos 2%, isto porque o superavit na Balança de Serviços (onde se incluem as Receitas do Turismo) cerca de 8.5% não é suficiente para compensar o défice na Balança de Bens acima dos 10%.

Resumindo, as receitas da Balança de Viagens e Turismo atingiram um valor record, 6,3% em proporção do PIB, acumulado dos últimos 12 meses. No entanto a Balança Corrente mantém-se negativa ligeiramente abaixo dos 2%; devido à deterioração estrutural da Balança de Bens, com um défice superior a 10%.

Fonte: BoP, INE, AS Independent Research


Artigo de autoria:
António Seladas, CFA

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