agosto 30, 2023
(tempo de leitura: 3 minutos)
O mercado de trabalho manteve uma dinâmica forte em julho, com a taxa de desemprego, em cadeia, estável nos 6,3%. A variável desemprego tende a reagir mais tarde a mudanças no ciclo económico, ainda assim, tendo em conta alguma fraqueza noutros indicadores, em julho e agosto, acreditamos que o mercado de trabalho estará junto a máximos, devendo ajustar nos próximos trimestres.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os dados preliminares sobre a evolução do desemprego, da população empregada, população subutilizada, população ativa e população inativa relativos ao mês de julho. Destacamos o seguinte:
1 – A taxa de Desemprego em julho ajustada pela sazonalidade manteve-se em cadeia nos 6,3%. Compara com média móvel dos últimos 12 meses (12MMM): 6,5% e 3MMM: 6,3%;
2 – A taxa de Subutilização em julho ajustada pela sazonalidade (inclui para além da população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego) manteve-se nos 11,6%; compara com 12MMM: 11,8% e 3MMA: 11,7%. Este é um conceito alargado de desemprego, menos volátil e, eventualmente, mais preciso, que inclui também os que por diversos motivos desistiram de procurar emprego, procuram emprego, mas não estão disponíveis e os que trabalham a tempo parcial;
3 – A população Empregada em julho subiu 1,0% homólogo vs. 12MMM: +0,8% e 3MMM: +1,3% (sequencialmente: -5pb);
4 – A população Ativa em julho ajustada pela sazonalidade subiu 1,4% homólogo vs. 12MMM: 1,2% e 3MMM: +1,7% (sequencialmente: -12pb);
5 – A população Inativa em julho ajustada pela sazonalidade, caiu 1,7% homólogo vs. 12MMA: -2,4% e 3MMM: -2,3% (sequencialmente: +32pb).
O mercado de trabalho em julho permaneceu dinâmico, sem sinais de ajustamento, o que provavelmente não é uma surpresa, tendo em conta que a variável emprego tende a reagir com diferimento a alterações no ciclo económico. No entanto, alguns indicadores mostram em julho e agosto uma economia mais fraca e como tal acreditamos que o mercado de trabalho estará perto de máximos, devendo ajustar nos próximos trimestres.


Fonte: INE, AS Independent Research
António Seladas, CFA
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