Macroeconomia

maio 31, 2022

Mercado de trabalho estabiliza em abril

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os dados preliminares sobre a evolução do desemprego, da população empregada, população subutilizada, população ativa e população inativa relativos ao mês de abril. Destacamos o seguinte:

1 – A taxa de desemprego em abril ajustada pela sazonalidade manteve-se inalterada nos 5,80%. Compara com média móvel dos últimos 12 meses (12MMM): 6,20% e 3MMM: 5,70%;

2 – A taxa de subutilização em abril ajustada pela sazonalidade (inclui para além da população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego) manteve-se, também, inalterada nos 11,20%; compara com 12MMM: 11,8% e 3MMA: 11,2%. Este é um conceito alargado de desemprego, menos volátil e, eventualmente, mais preciso, que inclui também os que por diversos motivos desistiram de procurar emprego, procuram emprego, mas não estão disponíveis e os que trabalham a tempo parcial;   

3 – A população subutilizada em abril ajustada pela sazonalidade caiu 12,4% homólogo vs. 12MMM: -16,3% e 3MMM: -13,3% (sequencialmente: -20pb);

4 – A população empregada subiu +3,5% homólogo vs. 12MMM: +4,2% e 3MMM: +4,0% (sequencialmente: -13pb).  

O mercado de trabalho demonstra sinais de estabilização em valores elevados, as principais métricas estão junto das médias de 3 meses, enquanto os valores da “População Empregada” e “População Inativa” estão em linha com médias dos últimos cinco meses. No futuro imediato, não esperamos alterações relevantes no mercado de trabalho, no entanto níveis de inflação elevados não acompanhados por subida dos salários, o que parece ser a situação atual e potencialmente serviço de divida mais elevado devido à subida das taxas de juro, deverá ter um impacto negativo na economia, nomeadamente na procura doméstica, principal motor no passado recente e por arrasto no mercado de trabalho          

Resumindo, o mercado de trabalho mostra alguns sinais de estabilização em níveis elevados (taxas de desemprego baixas), enquanto a procura doméstica se mantém robusta. No entanto, níveis de inflação elevados não acompanhados por salários mais elevados e, potencialmente, taxas de juro mais elevadas, deverão impactar a procura doméstica e o mercado de trabalho.

Fonte: INE, AS Independent Research


Artigo de autoria:
António Seladas, CFA

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