Macroeconomia

junho 29, 2022

Mercado de trabalho mostra em maio os primeiros sinais de ajustamento

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os dados preliminares sobre a evolução do desemprego, da população empregada, população subutilizada, população ativa e população inativa relativos ao mês de maio. Destacamos o seguinte:

1 – A taxa de desemprego em maio ajustada pela sazonalidade subiu sequencialmente 16pb para os 6,09%. Compara com média móvel dos últimos 12 meses (12MMM): 6,18% e 3MMM: 5,97%;

2 – A taxa de subutilização em maio ajustada pela sazonalidade (inclui para além da população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego) subiu também, 4pb para os 11,47%; compara com 12MMM: 11,81% e 3MMA: 11,43. Este é um conceito alargado de desemprego, menos volátil e, eventualmente, mais preciso, que inclui também os que por diversos motivos desistiram de procurar emprego, procuram emprego, mas não estão disponíveis e os que trabalham a tempo parcial;   

3 – A população subutilizada em maio ajustada pela sazonalidade caiu 9,7% homólogo vs. 12MMM: -15,6% e 3MMM: -10,4% (sequencialmente: -18pb);

4 – A população empregada subiu +1,3% homólogo vs. 12MMM: +3,9% e 3MMM: +2,9% (sequencialmente: -67pb).  

O mercado de trabalho está suavemente a perder “momentum”, de facto a maioria das métricas são agora negativas, ainda que sejam pequenas variações. A taxa de desemprego tem vindo a subir nos últimos três meses; ainda que sejam somente 28pb acima do mínimo registado em fevereiro último, 5,81%. O mesmo perfil pode-se encontrar noutras medidas. Os próximos meses deverão continuar a registar este tipo de comportamento, ou seja, um mercado de trabalho ligeiramente mais fraco. Não antecipamos, por conseguinte, ajustamentos fortes, no mercado de trabalho assumindo que o BCE, manterá, em geral, uma política monetária acomodatícia, com subidas tímidas das taxas de juro. O risco, obviamente, é a inflação persistir elevada e obrigar o BCE a uma atitude mais assertiva, com especial impacto em economias sobre alavancadas como é o caso de Portugal (divida publica acima do 125% do PIB).         

Resumindo, o mercado de trabalho mostra os primeiros sinais de ajustamento, o que tendo em conta a conjuntura económica, não surpreende, ainda assim é um movimento tímido. Este ambiente mais fraco dever-se-á manter, não esperamos, no entanto, ajustamentos fortes, assumindo que o BCE mantém uma política monetária acomodatícia.

 


Artigo de autoria:
António Seladas, CFA

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