abril 17, 2026
(tempo de leitura: 3 minutos)
As contas externas em fevereiro, mantiveram a tendência menos favorável, a sub-Balança de Turismo registou uma variação homóloga negativa, situação invulgar. Ainda assim o saldo da Balança Corrente mantém-se positivo, devido ao défice estrutural na Balança de Bens ter estabilizado. Ajustamentos no setor do Turismo poderão provocar uma evolução do mercado de trabalho negativa.
O Banco de Portugal (BdP) divulgou os dados de fevereiro, relativos às contas externas. Destacamos, o seguinte:
1 – Saldo da Balança Corrente em percentagem do PIB, últimos 12 meses: +1,05%. Compara com Média Móvel dos últimos 12 meses (12MMM): +1,2% e 3MMM: +1,1%;
2 – Saldo negativo da Balança de Bens em percentagem do PIB (últimos 12 meses): -9,5%. Compara com 12MMM: -9,6%/3MMM: -9,6%;
3 – O saldo positivo da Balança de Serviços (inclui o desempenho da Balança de Viagens e Turismo), fixou-se nos 10,6% em percentagem do PIB, últimos 12 meses vs. 12MMA: 10,9%/3MMM: 10,7%;
4 – O saldo positivo da balança de Viagens e Turismo (somente receitas de turismo, consolida na Balança de Serviços) em percentagem do PIB (últimos 12 meses) está em 7,1%. Compara com 12MMM: +7,2%/3MMM: +7,1%;
5 – O saldo negativo da Balança de Bens, em fevereiro, -0,9% homólogo. Compara com 12MMM: +14,1%/3MMM: +1,3%;
6 – O saldo positivo da Balança de Serviços, em fevereiro, -2,2% homólogo vs. 12MMM: +1,9%/3MMM: -6,0%;
7 – O saldo positivo da Balança de Viagens e Turismo, em fevereiro, -0,1% homólogo, compara com 12MMM: +3,9%/3MMM: +0,2%.
As contas externas em fevereiro mantêm-se sob pressão, nomeadamente a evolução da Balança de Serviços e concretamente a sub-balança de Viagens e Turismo, ambas registaram variação homóloga negativa e no caso dos “Serviços” é o quarto mês seguido. Ainda assim, o défice estrutural na Balança de bens, 9,5% do PIB (últimos 12 meses) estabilizou e permite manter a balança corrente com saldo positivo 1,05% do PIB.
Em resumo, o bom desempenho das balanças de Turismo e Serviços mostra sinais de esgotamento, entretanto o défice na Balança de Bens, 9,5% do PIB, estabilizou, o que permite manter o saldo da Balança Corrente positivo, cerca de 1% do PIB. Por fim, um menor desempenho, no sector do turismo poderá despoletar uma subida rápida do desemprego e pressão nas contas publicas.

Fonte: BdP, INE, AS Independent Research
António Seladas, CFA
Voltar