Macroeconomia

junho 30, 2022

Vendas em volume no Retalho alimentar caem em maio

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os valores de maio relativos às vendas no retalho.

Os dados foram os seguintes:    

1 – Índice do volume de negócios no comércio a Retalho a preços constantes (sem as vendas de combustível e ajustamentos sazonais), ou seja, sem o impacto dos preços, subiu 2,1% homólogo, vs. Média Móvel de 12 meses (12MMM) +7,5% e 3MMM +6,9%;

2 – “Produtos Não-Alimentares” a preços constantes (sem vendas de combustível) +6,3% homólogo vs. 12MMM: +14,1% e 3MMM: +16,8% (venda de automóveis em maio: -23% homólogo);

3 – “Produtos Alimentares” a preços constantes: -2,2 homólogo vs. 12MMM: +1,8% e 3MMM: -1,5%;

4 – “Produtos Alimentares” a preços correntes (dados nominais, incluindo o efeito preço) +10% homólogo vs. 12MMM +7,4% e 3MMM: 9,8%;

5 – “Têxteis, Vestuário e Calçado” (dados nominais, incluindo o efeito preço) +14% homólogo vs. 12MMM: 64% e 3MMM: 101%;

6 – “Artigos para o Lar” +11,7% homólogo vs. 12MMM: +12,7% e 3MMM: +16%;   

7 – “Vendas por Correspondência, Internet e Outros Meios” (dados nominais) +4,3% homólogo vs. 12MMM -0,9% e 3MMM -9,4%.      

 

Os dados de maio perdem, sem dúvida, ritmo, particularmente na categoria Alimentação em que os volumes caem 2,2% homólogo, uma vez que na categoria “não-Alimentação” os volumes, subiram 6,3% homólogo, ainda assim inferiores às médias moveis. Entretanto, os dados nominais mantêm-se fortes a beneficiarem do efeito preço, Alimentação +10% homólogo; ou seja, os consumidores estão definitivamente a compensarem preços mais elevados com menores volumes. Finalmente, “Têxteis, Vestuário e Calçado”, +14% homólogo nominal; estabiliza, “Artigos para o lar” +11,7% homólogo nominal, mantém um bom desempenho e “Vendas por Correspondência” +4,3% homólogo nominal, regista a primeira variação positiva no ano, essencialmente devido ao efeito base que melhora substancialmente doravante.  

Em suma, as vendas em volumes finalmente ajustam, nomeadamente na categoria Alimentação, com os consumidores a compensarem preços elevados com menos volumes. Com o atual ambiente a manter-se (sem aumentos salariais) é natural que o mesmo movimento se verifique na categoria “não Alimentação”, menos volumes a compensarem preços mais elevados.

Fonte: INE, AS Independent Research


Artigo de autoria:
António Seladas, CFA

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